domingo, 21 de fevereiro de 2010

LXXXVIII

Acabar o livro que, dia a dia, andei a escrever, página a página. Hoje, ao escrever a página, preenchendo a página virada, terei acabado.

LXXXIX

Preparo-me/ para o conhecimento do silêncio/ pendurado nos ramos vazios/ das árvores de folha caduca, como as folhas preenchidas dum livro fechado.

XC

Tudo começou na descrição deste caderno onde escrevi, até descrever completamente os gestos completos, todos os necessários para descrever cada uma das palavras e cada sinal.

XCI

No fim desta descrita página, feita na sensação da preencher, ainda não vou acabar; não viro a página.

XCII

Guardo o verso da folha, deixo seu verso em branco, a Poesia por escrever deste livro.

XCIII

Desta história, tento apanhar a ideia que lhe dará um nome saído das suas palavras, vindo do plural para o singular.
GESTO COMPLETO

21.02.10

XCIV

O BEIJO

o beijo
nunca foi escrito
nem dado foi

apenas é aqui
uma ideia

onde ela se versa
Assim

BEIJO-O

o beijo
todo nu inteiro
feito corpo

apenas é aqui
uma alma

onde me verso
Mim

MIM

este desejo
lábios abertos
à língua

sou eu
a dizer-me

nu/num beijo
Assim

ASSIM

por trás
e pela frente
beijas-me

toda eu
sou beijada

tu és: O BEIJO
Mim
21.02.10

XCV

«Perante factos não há argumentos»

XCVI

Os factos da escrita são todos argumentos, até mortos podemos escrever se esse for o argumento.

XCVII

Arguto, um cadáver acorda, olha para mim através das órbitas vazias e fala sem precisar de mover o queixo.

XCVIII

Sai-lhe a voz pelo buraco do nariz: – Vai dormir que o teu mal é sono! Ao que sou levado a responder: – O meu mal é não conseguir dormir.

XCIX

Fecho a luz e adormeço, a caveira de olhos abertos ilumina o crânio de pensamentos coloridos, luminosos, com/o movimento ondulante da chama a bailar no pavio.

C

Olho um navio dele vendo o mar e fico vivendo uma viagem na noite, até a aurora vir incendiar o mar numa língua de fogo deitada de fora, abrindo estrada nas águas: sonho com o Sol a aquecer.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

LEITURA PARA QUEM QUISER LER

LEITURA PARA QUEM QUISER LER

Ou um belo título para pouco escrever, deixando endereço como escrito… (aquele papel branco que ainda se cola nas janelas)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL

FELIZ NATAL

sem incomodar o Pai Natal
ao festejar o aniversário
do Menino Jesus

faço votos de que cada um
junto com todos os outros
SE sinta feliz e contente

se está com dificuldades
pois bem… tente, tente…
aos três: fique con_tente!

Feliz Natal e Boas Festas
Um Bom Ano Novo!!!
trazendo a data redonda 2010

neste 25 de Dezembro de 2009
é o que lhe desejo, com
amizade, a poesia

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CÁ DEIXO UMA FRASE

Antes que o dia siga a sua viagem e se perca no tempo, levando com ele o mês que hoje acaba, cá deixo uma frase.
Já agora...

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=35999#35999


domingo, 25 de outubro de 2009

comentário

Escrever tem, exige, predisposição, disposição e posição, não é coisa fácil mas não deve ser difícil. Pois, para complicar um pouco, só sentindo uma certa facilidade a fluir, o discurso encontra seu curso e deixa sua marca com imagem nítida e legível. Hoje – como se escolhe um dia? – achei não dever adiar publicar algo no blog, lendo neste blog colectivo.

http://poemadia.blogspot.com/2009/10/chuva-entrou.html

Estava a pensar comentar o texto que tivesse menos comentários, rendi-me ao que tinha mais comentários, deixo então (o) comentário. Sem grande vontade de dizer porque gostei do poema: transmite tanta intimidade e poesia, apetece ficar nesse lugar indefinido, onde o ser ganha seus contornos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O SEGREDO

A ideia de todos os meses aqui vir dá-me de 28 a 31 dias para escolher um dia, escrevendo o que me aprouver sobre o que me apetecer. Deixo endereço para:
p) O SEGREDO
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=34868#34868
Endereço para:
http://saboreamo-nos.blogspot.com/2009/09/segredos.html

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DECISIVO (O) DECIDIR

Aos Poetas do Mundo

tenho (há uns dias a esta parte) andado
a tentar escrever um poema dedicado
ao uso da Poesia como forma de intervir
tomando posição sobre nosso destino
entregue como tudo ao tempo do devir
onde a presença humana é desatino?

da resposta a esta pergunta fica sendo
o maior motivo do que me trás lendo
ao colectivo uma importância acrescida
traçando deste modo meu o objectivo
pela partilha duma intervenção devida
com a responsabilidade como motivo!

faço-o movido á inteira solidariedade
pleno dos valor maiores da amizade
reclamando-me mais um a vir dar voz
à importância da Poesia ter militância
pelo mundo que se abre como a noz
fruto sem afectividade e significância?

na imagem escolhida fruto sumarento
cada um se permita ler aqui momento
de fruto saboroso carnudo aromático
com o qual consiga bem dentro de si
necessidade de dar algo programático
ao que há num poema de mais deci-

sivo e intemporal - será bem preciso!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

SUBSTÂNCIA DE VOO

Está decidido, ter um blog não me cativa. Gosto de partilhar alguns espaços, partilhar a blogosfera é espaço abrangente de mais?
Deixo esta pergunta a um deus ou deusa infecundo, uma pedra onde só vento e mar com tempo hão-de desenhar seu rosto, diferente de tudo, parecido com nada, para que a sua resposta me seja indiferente agora e para sempre.
Do agora prefiro deixar algo mais interessante (deus que responda?):

A passagem do tempo em metáforas
de envelhecimento e destruição,
não deixa de desaguar numa canção
cheia de apetite (pela vida?).
Descobrir a vida exposta do poema,
tentar passar da sua superfície
(para dentro ou para fora?).

O poema é o animal máquina,
infernal e seráfico como os serafins,
anjos e afins (escutar o silêncio?).
Cabe-nos ser poetas para acordar
as alegrias de alegorias
(estátuas antigas a ficar vazias?).

Gosto de poemas que se tocam
com a realidade, tocam a realidade
com a sua existência (uma boa prosa?).
Abrir as frases e pairar como as aves,
façamos o voo mais pesado que o fumo
(deixemos poisar as palavras?)...

Agora aquilo que fui pensando poema,
só falta ser verso(s_u
ave substância de voo suave?).

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=34715#34715